Comer papel em sessão da Câmara é bizarro e se virar moda, na Paraíba, faltará celulose

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O teatro promovido pelo vereador de Patos, Josmá Oliveira (PL), é bizarro. Pode até agradar a uma plateia específica, mas no fim das contas depõe contra o Legislativo do qual ele faz parte. A iniciativa e a Câmara do município se transformaram, desde que o vídeo se tornou público, em motivo de chacota.

Josmá comeu partes da Lei Orgânica do Município. Isso mesmo. Ele engoliu, enquanto usava a tribuna da ‘Casa’, pedaços da legislação.

O ato, segundo ele, foi para protestar contra o ‘tratoraço’ da prefeitura no encaminhamento e tramitação de projetos no Legislativo municipal.

O Executivo tem maioria na Câmara e tem passado ‘por cima’ da oposição. Conforme Josmá, as matérias têm desconsiderado o Regimento Interno da Casa e a Lei Orgânica do município.

E é preciso dizer. A julgar pelo que foi dito pelo vereador, o caso de Patos é quase uma regra na Paraíba.

A maior parte das Câmaras municipais serve apenas de anexo para os Executivos.

Eleitos pelo povo, muitos vereadores são negligentes no exercício de fiscalizar, acompanhar e cobrar das gestões municipais.

Matérias são enviadas aos ’45 minutos’ dos prazos legais e aprovadas com quase nenhuma discussão. Os Legislativos, e nesse aspecto Josmá tem razão, aceitam essa prática. A forma usada pelo vereador, contudo, é que não é adequada.

Se essa moda de comer papel pegar nas Câmaras municipais da Paraíba faltará celulose. E, por consequência, respeito da população para com os Legislativos – já debilitados com cenas cômicas como as protagonizadas sexta-feira em Patos.

*Jornal da Paraiba